pausa.
o corpo continua aqui, mas alguma coisa dentro de mim parece ter ficado para trás faz tempo.
as conversas começaram a cansar,
os dias passaram a acontecer lentamente, quase que se arrastando,
e até aquilo que eu amava fazer começou a soar distante.
como se eu estivesse vivendo sem realmente conseguir me encontrar nas próprias horas.
preciso de uma pausa. não sei se será uma vírgula, um ponto ou por quanto tempo.
talvez porque exista um limite silencioso para tudo aquilo que a gente suporta sem dizer nada.
chega uma hora em que o corpo continua seguindo a rotina, respondendo mensagens, cumprindo horários, sorrindo quando precisa… mas por dentro alguma coisa começa a desacelerar.
como se a alma estivesse pedindo para ser deixada em paz por alguns instantes.
não é vontade de desistir.
é cansaço de continuar carregando o peso de existir sem nunca parar para respirar de verdade.
acho que a gente se acostuma tanto a permanecer disponível para o mundo que esquece como é ficar sozinho consigo mesmo sem culpa.
e então vai acumulando:
barulho,
expectativas,
cobranças,
palavras não ditas,
cansaços ignorados,
tristezas adiadas,
pensamentos que não descansam nem durante a madrugada.
até já não conseguir distinguir tristeza de exaustão.
e a pior parte é que o mundo não para.
as mensagens continuam chegando,
os compromissos seguem existindo,
as pessoas continuam esperando respostas,
enquanto a gente vai se apagando devagar dentro da própria rotina.
acho que a gente esquece que até a alma precisa respirar às vezes.
talvez a pausa venha justamente daí:
da necessidade urgente de se recolher um pouco antes que tudo dentro da gente endureça.
porque existem silêncios que salvam.
e distâncias que não afastam - apenas ajudam a gente a voltar para si mesmo.
talvez pausar seja isso:
um jeito silencioso de tentar se encontrar novamente antes de desaparecer completamente de si mesmo.
-Silveira.

